quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Comendo o mundo: os sabores da Colômbia

Olá, olá, minha gente!

A pessoa some por mais de um ano e agora quer voltar como se nada tivesse acontecido? SIM!
Juro que eu tenho uma boa motivação para isso: estou vivenciando minha tão esperada jornada da minha pesquisa do doutorado e estou tempo para refletir sobre os lugares fantásticos, sabores únicos e pessoas singulares que estou conhecendo.


Daí pensei: por que não compartilhar isso aqui?!

Para ninguém pegar o bonde andando, irei voltar aos poucos... Por isso, hoje vou reavivar minha coluna preferida do blog: Comendo o mundo!

Atualmente, meu saldo de viagens é este:




*se você quiser fazer seu mapa, entra aqui ó: http://wherehaveibeen.info/

Ainda é pobrinho, a lista de lugares a conhecer é enorme (Alô, África!), mas  aos poucos vou compartilhando os sabores, receitas e culturas alimentares que tive a oportunidade de conhecer.

Dito isso, vamos ao que interessa: cocina colombiana!

Já tinha um tempão que eu e o digníssimo estavamos namorando a Colômbia. Aproveitamos para fazer uma pré lua de mel no país de Garcia Marquez, em julho de 2015. Além das paisagens, uma coisa despertava muito nossa curiosidade sobre o país: su cocina muy rica! Mas o que dizer da gastronomia de um país rico d mcultura indígena, europeia, negra, latina, árabe, contemplada com a Amazônia, com mar do Caribe, com Mata Atlântica e uma das maiores e mais ricas biodiversidades do planeta? Não poderia se esperar nada menos que uma gastronomia diversa e surpreendente! Olha só a quantidade de bananas, batatas e frutas que a gente encontra num mercadinho de esquina:









A cozinha colombiana não é marcada por técnicas elaboradas e nem ingredientes sofisticados: a base de seus pratos típicos são ingredientes bem comuns à cultura brasileira, tendo a banana, o milho e o feijão como seus principais ingredientes.

Agora, se você acha que eles comem a banana com granola e canela, você está redondamente enganado. Um dos preparos mais comuns encontrados nas mesas colombianas são os Patacones: fatias de plátano (uma espécie de banana, tipo a nossa banana da terra) verde, amassadas (com um soquinho. Daí vem o nome. A fatia da banana amassada com uma pata de elefante), fritas e servidas com sal. É um preparo versátil, servido tanto como acompanhamento, como sozinho para um pestisco. Em San Andrés, brindados com o mar caribeño de sete cores, comemos essas belezinhas com um Cazuela de Caracoles (caçarola de caracóis, em tradução literal).





Este da foto comemos no Restaurante La Bruja, da Rede  de hotéis Decamoron, onde estávamos hospedados. Na ilhota de 27 km² não existem muitas opções de restaurante. Por isso, optamos por ficar no Royal Decameron Los Delfines, o mais novinho da rede, no sistema all inclusive (nada de muito maravilhoso, mas tá valendo), que era composto por mais de 10 restaurantes espalhados pela ilha =). A localização também era ótima, por ficar no centrinho e ainda por ter uma praia particular básica... Ai, que chato!
E além da banana, o que é que a Colômbia tem? No caso da ilha, muitas frutas, além das nossas conhecidas goiaba, melancia, abacaxi, manga, papaia e graviola, eles consomem Lulo (não tem nada parecido aqui, mas tem um sabor agridoce), maracujá doce e tomate doce!
Mais colombiano que os patacones, só as Arepas - uma espécie de tapioca mais grossa feita com farinha de milho (branca ou amarela) feitas na frigideira, na chapa ou na arepeira e que acompanha todos as refeições. Quando recheada, pode ser até uma refeição completa.



Arepeira no centro de Bogotá.

Já em Bogotá, uma cidade surpreendentemente incrível, a oferta gastronômica era bem cotada! Além de restaurantes consagrados (a Colômbia possui 5 restaurantes na lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina), a cidade é rica em comida de rua! O que me deixou mais impressionada foram as barraquinhas de frutas espalhadas pelas calles, nas quais são vendidos potinhos de frutas cortadas, principalmente manga verde em tirinhas com sal (que fica parecendo espaguete). As pessoas pegam e saem andando. Isso que é fast food! O governo faz várias campanhas incentivando o consumo de frutas fresca e locais para uma vida mais saudável. Nessa pegada, pode-se encontrar um milho (milhaozão diga-se de passagem) assado na brasa por apenas 2 reais! ¿Chévere, no?


                                   


No centro, tem uma quantidade infinita de carrinhos e restaurantes com comidas tradicionais. Dá pra se jogar!



Saindo das ruas e entrando no circuito dos restaurantes, Bogotá oferece muitas opções em toda a cidade, porém concentra grande parte delas na Zona T: uma região repleta de bares, restaurantes, baladas, shoppings, lojas como Dior, Pronovias e Valentino e hotéis. Lá, turistas e locais se confundem nas ruelas iluminadas e musicais que mais parecem um parque de diversões para quem curte gastronomia e moda. 

Na Zona T, tivemos algumas experiencias bem agradáveis. A primeira delas: o tradicional Andrés carne de Rés. Inspirado na Divina Comédia, de Dante Alighiere, o restaurante tem vários andares que representam desde o inferno até o céu. O lugar é TODO cheio de detalhes, naquele estilo de bagunça arrumada que dá certo (detalhe: a unidade da Zona T é uma franquia, o original fica num bairro afastado e dizem que é SENSA, pois além da boa comida, depois tudo vira uma grande festa!). A pedida lá é uma boa carne. Pedimos um "plancha" com vários tipos de carne, chorizo, arepas, papas, carne porco e carne de frango. Pedimos um suco e uma cerveja. Não muito baratchol - a conta ficou em torno de 150 mil pesos colombianos. Valeu a pena! A comida tava gostosa - a fome deu uma ajudada - e o lugar é realmente incrível e hilário! Tem que ir!



Andando pela rua central da zona, entramos no que parecia uma medina. Um restaurante árabe com uma pegada marroquina e meio libanesa. Resultado? A melhor comida das arábias que já comemos, harmonizada com um chardonnay bem geladinho. Destaque para a linguiça de cordeiro artesanal. No Gyros y Kebab eles tem até um forno a lenha que você pode ficar apreciando os pães pita inflarem enquanto assam. 




Ainda na Zona T, conhecemos uma Cevicheria bem bacaninha chamada  Central Cevicheria. O lugar é bacanérrimo. Tem uma vendinha de produtos peruanos e verduras frescas e peixaria na frente, os drinks são bem gostosos e preço é bem justo. Porém, apesar do peixe ser fresco, eles colocam MUITO milho enlatado no meu ceviche. Nessa hora você para e pensa: Amigo, assim não dá pra te defender.

Na tarde de ir embora, enquanto esperávamos a hora de ir ao aeroporto, conhecemos também uma browneseria, bem gostosinha para tomar um café enquanto você vê a vida passar. Acredita que na Nocciola Brownieseria eles fazem até sushi de brownie? Eu vou morrer e não vou ver de tudo que esse raio gourmetizador é capaz!

Saindo da Zona T, conhecemos dois restaurantes que fizeram valer a viagem e que deram motivos para voltar: Leo Cocina y Cava e Harry Sasson.

Leo Cocina y Cava fica perto do centro da cidade. Fica numa casa antiguinha branca com uma imponente porta de madeira. Da porta para dentro, nada de antiguidade: o restô é todo moderninho, com intervenções artísticas em ferro e uma adega aberta em toda lateral do espaço. Simples e chique, assim como se espera de um restaurante que integra a lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina (ele ocupa a 49ª posição). A chef Leo é uma daquelas mulheres que veste a camisa: além do restaurante, conhecido por utilizar produtos da biodiversidade colombiana, ela tem uma fundação de pesquisa da cultura e produtos de seu país. Demais, né? Por isso, não tivemos muitas dúvidas na hora de escolher: pedimos os dois menus degustação, cada um de 10 passos, que a casa oferece - o clássico e o sazonal - harmonizados com vinhos e licores feitos por uma cooperativa de mulheres da amazônia colombiana (por sinal, acho que não harmonizaram legal, mas o que vale é a valorização da biodiversidade e de suas guardiãs, então tá valendo). O valor de cada menu era de 200 mil pesos colombianos. Vale a experiencia, pois é como fazer um tour de sabores por todos os territórios, biomas e matas da Colômbia. É emocionante! Ah, não esqueça de fazer reserva.

Uma amostrinha do que foram os menus:














Por fim, o nosso coroado: Harry Sasson. Pensa num lugar fino! Teto completamente de vidro para você admirar o céu enquanto você toma uma tacinha de espumante. Mas o que arrebatou meu coração não foi o tratamento querido dos garçons, nem da pegada artística do local, mas sim a Cola de Langosta braseada com mantequilla . Rapaz, sério, a textura e o sabor daquela lagosta ficaram no coração! O Harry também integra a lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina, ocupando a 43ª posição.





E aí, vale ou não vale fazer uma boquinha na Colômbia? Eu, com certeza, fiquei com gostinho de quero mais!

Besotes,


T.